Todos somos líderes
- Genypso

- 16 de fev. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 4 de mar. de 2021
No passado, ainda nos primeiros anos da minha trajetória profissional, ouvi alguém dizer: “Ele é o líder”. E eu me perguntei: “E os outros?”. A resposta natural e óbvia seria: "Eles são os liderados”. Diante disso, a primeira pergunta que me veio foi:
"Ok, mas o que é que eu preciso para ser um líder?
Na época não tive uma resposta bem definida. E, do que encontrei como explicação, se resumia em: características pessoais; quantidade de pessoas que eram mobilizadas em algum momento ou em uma circunstância específica por alguém; e, também, o impacto da divulgação de um trabalho de comunicação que faziam uma pessoa popular ser chamada de “líder”.

Também vieram outras perguntas: Será que existem muitas pessoas populares que são chamadas de líderes? E popular e líder é a mesma coisa?
Com o tempo, fui identificando e contextualizando o termo “liderança” que, dentro de muitos outros conceitos, poderia resumir como:
“Liderança é o uso dos recursos conhecidos como capacidades, habilidades e/ou conhecimentos próprios de cada indivíduo, para influenciar e mobilizar outros indivíduos para um objetivo específico”.
Focando na capacidade de "influenciar e mobilizar outros indivíduos”, cheguei à primeira conclusão: a de que minha mãe é líder, às vezes com amor, outras na dor (a maioria na dor, não por falta de amor ou paciência, mas sim porque eu era cabeça dura). Ela me mobilizava para o objetivo que ela determinou. Meu irmão, quando tinha que cuidar de mim, teve que ser um líder. Meu colega de aula que, notavelmente, era mais disciplinado e tinha uma habilidade para entender fórmulas de química, foi líder quando ajudava os colegas da turma no purgatório dessas aulas que não conseguíamos entender. Claro, vale dizer que ele podia não ser o capitão do time de futebol, mas quando se tratava de aprovar nessa matéria, todos estávamos sendo “liderados” por ele.
E assim, no dia a dia, vejo o pai, o amigo, o colega ou parceiro sendo, em algum momento, líder para outros, utilizando uma capacidade ou competência específica para colaborar e contribuir na vida de outra pessoa. Foi aí que cheguei à conclusão de que, sim, todos somos líderes.
Mas por que temos que exaltar um, e minimizar outros? Se liderar é uma capacidade natural e inerente à pessoa, como qualquer outra? Inclusive, até, penso que, em algum momento, tivemos a necessidade de que a imagem de chefe ou pessoa autoritária tinha que ser suavizada pela palavra “líder”.
Todo corpo ou estrutura precisa de uma "cabeça", porém acredito que não precisamos usar uma capacidade natural para atribuir a alguém o título de “líder”. Acredito que isso prejudica ou limita o desenvolvimento de todos. Se não queremos usar a palavra “chefe” podemos pensar em outra palavra como “responsável”. Então, podemos nos perguntar: e os outros, o que são? Eu diria que são “corresponsáveis”. E, no dia a dia, a todo momento, estamos sendo ou a cabeça responsável ou o corpo corresponsável para alcançar um objetivo, de chegar a uma meta, de lograr um propósito.
Quando falamos de corresponsabilidade, evitamos esse círculo vicioso de procurar culpados quando algo dá errado, de inflar o ego de alguém quando algo dá certo, ou de "puxar saco" do chefe apenas para aparecer na foto quando tudo está bem e de apontar o dedo quando algo deu errado.
Jean Paul Villacis Guerra
Sócio | Diretor | Genypso Gestão Empresarial




Excelente artigo.
Vale ressaltar que todos os exemplos dado acima, o líder não tinha a noção de que era líder, ou seja, não se auto-rotulou. E acredito que isso é uma característica nobre dos verdadeiros líderes.
Abraços